Nem mortadelas nem coxinhas
“ (…)agora, quando a intervenção direta das massas na vida pública passou de casual e infrequente a ser o normal, apareça a “ação direta” oficialmente como norma reconhecida. (…) Toda a convivência humana vai caindo sob este novo regime em que se suprimem as instancias indiretas. No trato social suprime-se a “boa educação”. A literatura, como” ação direta”, constitui-se no insulto. (…)Trâmites, normas, cortesia, usos intermediários, justiça, razão! de que veio inventar tudo isso, criar tanta complicação? Tudo isso se resume na palavra “civilização”, que, através da ideia de civis, o cidadão, descobre sua própria origem. Trata-se com tudo isso de fazer possível a cidade, a comunidade, a convivência. (…) Todos, com efeito, supõem o desejo radical e progressivo de cada pessoa contar com as demais. Civilização é, antes de tudo, vontade de convivência. ” (Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas) Começo pontificando com uma provocação: o futuro da política não pertence a mortadelas ou coxinhas. O exercício da política pressupõe como sua ferramenta essencial a persuasão, para persuadir é necessário estudar, refletir, debater com a sinceridade de quem busca a verdade mais do que a vitória em uma assembleia de iguais na qual a autoridade deriva
